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16/09/2026

A obra "Planejamento Estratégico" (2016), de autoria de Keitty Aline Wille Becker, Adriana Giovanela e Leonardo Furtado, publicada pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI), consolida-se como um compêndio didático e integrador voltado ao ensino da gestão organizacional. O seu valor central reside na capacidade de transpor um vasto arcabouço teórico-conceitual em um roteiro metodológico estruturado e aplicável à realidade das empresas. Ao longo de suas três unidades, o livro defende de forma consistente a tese de que o planejamento estratégico não é um mero documento estático ou burocrático, mas sim um processo contínuo de pensamento prospectivo, essencial para a construção de vantagens competitivas sustentáveis e para a própria sobrevivência institucional em mercados dinâmicos e incertos.

Sob a perspectiva metodológica, a estrutura da obra destaca-se por um encadeamento lógico progressivo. A Unidade 1 estabelece a fundamentação teórica da disciplina, explorando com profundidade a evolução do termo "estratégia", os "5 Ps" e as dez escolas estratégicas propostas por Mintzberg, além de categorizar os níveis de decisão (estratégico, tático e operacional) e as posturas corporativas de sobrevivência, manutenção, crescimento e desenvolvimento. Na Unidade 2, os autores aprofundam a metodologia de implementação por meio do diagnóstico ambiental, combinando o mapeamento das variáveis externas (oportunidades e ameaças) e internas (forças e fraquezas) com a definição da cultura, da missão e da visão organizacionais. O ápice dessa fase operacional reflete-se na sistematização de ferramentas analíticas consagradas, englobando a Matriz Produto-Mercado de Ansoff, a Matriz BCG, a Matriz GE/McKinsey, a Matriz de Parentesco, as Estratégias Genéricas de Wright e a Análise SWOT. O texto acerta ao demonstrar que o diagnóstico não deve ser um exercício contemplativo, mas o ponto de partida objetivo para alinhar as competências internas às exigências do mercado.

A Unidade 3 completa a jornada ao dedicar especial atenção à dimensão do controle e da avaliação sistêmica, etapa frequentemente negligenciada na prática gestora. Ao integrar o Planejamento e Controle da Produção (PCP), as dez áreas de conhecimento do guia PMBOK do PMI e os conceitos de descentralização e planejamento participativo, a obra demonstra que a execução estratégica exige engajamento coletivo e distribuição real do poder decisório. Essa amarração conceitual atinge sua plenitude com a apresentação do Balanced Scorecard (BSC) de Kaplan e Norton, o qual traduz diretrizes abstratas em indicadores práticos sob quatro perspectivas: financeira, clientes, processos internos e aprendizado/crescimento. Os autores argumentam com clareza que a avaliação contínua atua como uma blindagem contra o retrabalho e como a garantia de sustentabilidade do negócio a longo prazo.

Por outro lado, é possível apontar limitações decorrentes da própria natureza didática do material. Sendo uma obra de caráter predominantemente introdutório e compilatório, os autores optam pela justaposição de múltiplos modelos teóricos (Oliveira, Chiavenato, Lussier, Fernandes & Berton) em detrimento de uma formulação conceitual inédita ou de um debate mais aprofundado sobre as fragilidades dessas ferramentas em ambientes de extrema volatilidade: falta um tom crítico ao próprio conteúdo apresentado, ausentando-se a discussão de suas virtudes e de suas limitações. Embora o livro inclua leituras complementares sobre o cenário digital, a aplicação do modelo do "Oceano Azul" na Gol Linhas Aéreas e a transição para tempos de alta incerteza (VUCA), a sua estrutura metodológica central permanece fortemente ancorada em fases formais e lineares (Diagnóstico -> Missão/Visão -> Instrumentos Prescritivos -> Controle). Em cenários corporativos contemporâneos, marcados por mudanças disruptivas rápidas, esses esquemas lineares engessados frequentemente demandam revisões muito mais dinâmicas do que as preconizadas nos manuais tradicionais.

A despeito dessas ressalvas quanto ao rigor dos fluxos tradicionais, a obra cumpre com bem a sua missão pedagógica. Ela desmistifica a complexidade da gestão corporativa ao evidenciar que administrar estrategicamente significa, em última análise, assumir o controle do próprio destino organizacional. Ao harmonizar teoria clássica, metodologias consagradas, estudos de caso e mecanismos de mensuração, Becker, Giovanela e Furtado entregam uma síntese indispensável, reafirmando que o planejamento estratégico não é um luxo reservado a grandes corporações, mas a premissa fundamental para a perenidade e competitividade de qualquer empreendimento no mercado atual.

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